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Crítica | Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City até tenta, mas não escapa da maldição dos filmes de games

Apesar de não serem muito bem aceitos pelos fãs, os seis filmes de Resident Evil estrelados por Milla Jovovich foram sucessos de bilheteria, o que significa, é claro, que a Sony não ia simplesmente deixar a franquia morrer na tela grande. Assim, ainda em 2019, um reboot foi anunciado, com a promessa de mais fidelidade com os jogos da Capcom, com personagens conhecidos como os verdadeiros protagonistas da história.

Dois anos depois, chega aos cinemas Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City, que adapta os dois primeiros títulos da série em um longa de pouco mais de uma hora e meia de duração. E embora fique bem claro que a produção realmente tentou, ainda não foi dessa vez que a maldição dos “filmes baseados em games” foi quebrada, porque a execução deixou bem a desejar.

A origem do mal

Assim como nos games, a história se passa em setembro de 1998, mas desta vez existem dois núcleos de personagens que acabam se encontrando. De um lado temos o novato Leon S. Kennedy (Avan Jogia), que logo em seu primeiro dia na polícia de Raccoon City, se vê em meio a um apocalipse viral que transforma as pessoas da cidade em monstros sedentos por carne humana, ao lado de Claire Redfield (Kaya Scodelario), que voltou à cidade para avisar seu irmão Chris Redfield (Robbie Amell) sobre a crise biológica que se aproxima. De outro, temos Chris e sua equipe, composta por Jill Valentine (Hannah John-Kamen), Albert Wesker (Tom Hopper) e Vickers (Nathan Dales), mandados até uma mansão abandonada para procurar uma equipe desaparecida e descobrindo os horrores iniciados lá dentro.

Como não poderia deixar de ser, os acontecimentos vistos nos dois primeiros jogos tiveram que ser adaptados para funcionarem melhor no cinema, mas a execução se perde no meio do caminho, tornando a experiência um tanto convoluta. As tentativas de assustar o público o tempo todo, com jump scares gratuitos e trilha sonora padrão de filmes de terror, chegam totalmente fora de hora, sendo até risíveis em alguns momentos.

Já na hora da ação, não há muito o que reclamar, até porque não tem muito mistério: monstros atacam, tiros são dados, explosão, correria e é isso. E não precisa ser mais que isso, funcionava nos games e também funciona aqui, mas não conseguimos nos importar com os personagens o suficiente para vibrar com o que rola na tela, diferente do que acontece quando se está com um controle na mão e com a barra de energia no vermelho. Quando a ação acaba e só o que temos são os diálogos, aí a coisa perde o interesse e só nos resta esperar o próximo fanservice ou conflito.

O filme acerta ao usar personagens dos jogos, mas patina na hora de fazer com que nos importemos com eles

Bela tentativa, mas…

Se tem uma coisa que não dá para dizer sobre o filme, é que ele não tentou ser mais fiel aos jogos e ao mesmo tempo homenageá-los. Toda a ambientação está fidedigna, da delegacia de polícia aos cômodos da mansão Spencer, passando por cenas icônicas, linhas de diálogo, figurinos e trejeitos dos personagens. Para os fãs, isso acaba tornando a experiência mais interessante, mas para quem não conhece nada ou quase nada dos jogos (o que inclui a mim), tudo isso passa batido e só nos restam os personagens, que são tão bidimensionais que é bem difícil se importar com qualquer um deles.

Muitas coisas dependem que o público simplesmente aceite o que é mostrado na tela sem maiores questionamentos para que funcionem. Claire, embora apenas uma civil, é uma exímia atiradora, motociclista, investigadora e sobrevivente simplesmente porque o filme diz que sim, Jill é a mulher forte e sarcástica, Leon é o alívio cômico, Chris, bom… é o Chris, e por aí vai. Isso até poderia passar batido se os diálogos fossem melhor escritos ou o filme não se levasse tanto a sério, mas infelizmente isso não acontece.

O problema real deste Resident Evil é sua falta de equilíbrio. Na hora de ação, a produção convence e dá o que o público quer ver – embora o apego aos personagens, heróis e vilões, seja zero. Mas não há tensão, não há um senso de perigo real e imediato e toda a tentativa de passar a atmosfera do “horror de sobrevivência” não passa disso: tentativa. Em parte entrega, mas não chega lá.

Leon e Claire: nos games, a dupla funciona. Nos filmes, nem tanto

O veredito

Feito mais para os fãs do que para o público geral, Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City se perde no desenvolvimento, mas entrega na hora da ação. Esse desequilíbrio prejudica a experiência, tornando o filme algo esquecível e que não consegue se desvencilhar da mediocridade do gênero. Falando como se fosse um jogo: não é de se jogar fora, mas também não há aquele “fator replay” para revisitá-lo.

Caso haja uma sequência, há potencial para uma melhora. O elenco não é mal escalado, sendo apenas prejudicados pelo roteiro simplório, e a nível de ação, ele já funciona. Com um novo direcionamento e mais orçamento para criaturas mais asquerosas e efeitos especiais, um Resident Evil 2 poderia ser algo muito mais divertido. E dado o histórico da franquia no cinema, não será de surpreender se virmos a Umbrella e suas armas biológicas atacando mais uma vez.

One thought on “Crítica | Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City até tenta, mas não escapa da maldição dos filmes de games

  • Bruno Liam
    4 de dezembro de 2021 at 06:02

    Vou assistir, pq quero ver como ficou, e sou fã dos jogos, mas tava com o pezinho atrás

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