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5 coisas que você precisa saber sobre os Eternos antes da estreia no Disney+

No dia 12 de janeiro, Eternos, a última aposta da Marvel Studios para balançar sua mitologia cinematográfica, chegará ao serviço de streaming Disney+, então, se você não pôde ir ao cinema para assistir o grande “Livro de Gênesis” da Marvel, essa é sua chance de conhecer esses… heróis (?) no conforto do seu lar.

Mas, se você está se perguntando “Quem são os Eternos?”, “O que são os Eternos?”, “Por que eu deveria saber disso?” e “É nesse filme que aparece o Tobey Maguire e o Andrew Garfield?”, é hora de o Geek Here te ajudar a entender tudo isso. Vamos lá.

1 – QUEM SÃO OS ETERNOS?

Na doideira que é a cosmologia dos quadrinhos Marvel, existem os Celestiais, serem gigantescos que existem desde a criação do universo — na verdade, eles mesmos podem criar universos, inclusive sendo responsáveis por criar o universo primordial da Marvel Comics (o chamado “Universo 616”). Os Celestiais fizeram experimentos na Terra e criaram três diferentes espécies: os deviantes, consideradas falhas em sua criação, monstros de genética instável propensos à guerra; os humanos, seres equilibrados destinados a herdar o planeta e em busca da paz (…permita-me discordar, Marvel); e os eternos, seres superpoderosos, “filhos dos deuses”, dotados de superpoderes e vida praticamente eterna (eles podem ser revividos sempre que morrem, mudar sua aparência no processo, etc.). Eles vivem no planeta há milênios, tentando não interferir em seu desenvolvimento.

No filme, sua origem é, de certa forma, simplificada e modificada: enquanto nas HQs, os eternos são seres orgânicos, capazes até de se reproduzir, no cinema, eles são serem sintéticos sem relação com a raça humana.

Os Eternos não são exatamente uma superequipe, como os Vingadores ou os X-Men — são mais uma raça. Mas os membros mais proeminentes das histórias dos Eternos são personagens cujo conceito gira em torno do fato de eles, provavelmente, terem dado origem a várias lendas humanas. Seus nomes fazem referência a isso: Ikaris provavelmente influenciou o mito de Ícaro, Thena é a origem de Atena, Sersi tem relação com Circe, etc. Todos eles têm atributos físicos aumentados, e cada um escolheu se especializar em um poder específico, como as ilusões de Duende e a manipulação mental de Druig.

2 – POR QUE OS ETERNOS SÃO IMPORTANTES NA MARVEL?

Se você não conhece um homem chamado Jack Kirby, bom, hoje é seu dia de sorte: Kirby é um dos maiores responsáveis por tudo que você ama no panteão de histórias da Casa das Ideias. Ele divide os créditos da criação de vários dos mais icônicos personagens da editora, como os X-Men, o Quarteto Fantástico e o Hulk, com Stan Lee — muitos, inclusive, acreditam que foi Kirby a maior força criativa por trás desses personagens, mais que Lee. Depois de uma passagem pela DC Comics, onde pôde explorar suas ideias mais ambiciosas e criou o Quarto Mundo, Kirby retornou à Marvel e criou o que alguns consideram sua maior obra: Os Eternos, seu primeiro trabalho solo na editora, um conceito muito parecido com o Quarto Mundo, inspirado em ideias muito em voga na época, advindas do livro Eram os Deuses Astronautas?, de Erich von Däniken.

Kirby efetivamente revolucionou a editoria cósmica da Marvel, expandindo o escopo de sua mitologia e criando conceitos que os quadrinhos utilizam até hoje, e seus personagens se espalharam pelas revistas da casa (Sersi, por exemplo, chegou a fazer parte dos Vingadores). Mas tanto a exuberância da arte de Kirby quanto a complexidade de suas ideias (e até mesmo a dificuldade de acesso — são leituras bastante densas) fizeram com que a revista não durasse muito. The Eternals durou apenas 19 edições na época, até ser cancelada. Porém, seus personagens sobreviveram, a revista retornou triunfantemente anos depois…

3 – POR ONDE COMEÇAR A LER OS ETERNOS?

No momento, os leitores brasileiros têm três boas opções para começar a leitura dos personagens. 

Primeiro, obviamente, Eternos: Por Jack Kirbyum omnibus de mais de 390 páginas que compila a primeira série completa da revista The Eternals por seu autor original. É uma leitura pesada (literalmente: o livro é um tijolão), densa, que pode afastar muitos leitores desavisados; mas é um clássico inquestionável pelas palavras e traços do Rei dos Quadrinhos.

Outra opção é a segunda série de destaque dos personagens, por ninguém menos que Neil Gaiman: Os Eternos por Neil Gaiman & John Romita Jr. é um volume único com toda a minissérie de 2006 escrita pelo criador do Sandman, que, na época, reintroduziu os personagens ao grande público. Ou seja, se não tiver coragem de encarar as HQs mais “antigas”, esta série reapresenta o grupo, e é um ótimo ponto de partida.

Além disso, está também em publicação a série Os Eternos, do roteirista Kieron Gillen e do desenhista Esad Ribic. Essa nova série de 2021 vem sendo muito elogiada por repaginar o grupo de personagens, numa narrativa épica com cara de Game of Thrones. Essa também é uma ótima maneira de começar a ler os personagens: mesmo que a narrativa dependa um pouco de um conhecimento prévio dos Eternos, não é nada que vá atrapalhar o entendimento.

4 – COMO OS ETERNOS PODEM INFLUENCIAR O MCU? (Cuidado: Spoilers!)

Os Eternos sempre foram conectados com a origem do Universo Marvel, algo que ainda não foi exatamente explorado nos filmes. Eles foram criados por seres que são basicamente deuses criadores de universos — e o que o Marvel Cinematic Universe vem trabalhando com força agora? Isso mesmo: o Multiverso. Depois de Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa, o próximo grande filme da casa é Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, uma história ambiciosa o suficiente para render uma participação dos Eternos espalhados por aí ao fim de seu próprio filme, ou mesmo dos Celestiais, dependendo de quão fundo — ou quão longe — o Doutor Estranho vá.

Além disso, na continuidade atual dos quadrinhos, na revista Vingadores do roteirista Jason Aaron, os Celestiais são os responsáveis pela existência de super-heróis na Terra! O, digamos, “retcon” aqui, é que os humanos foram criados pelos Celestiais como um “patógeno”, um remédio contra a Horda, seres que infectaram alguns Celestiais criando os Celestiais Negros. A presença dos Celestiais na Terra no início da vida no planeta é o que fez com os humanos tivessem propensão a ganhar superpoderes. Atualmente, os Vingadores estão intimamente ligados com a mitologia dos Celestiais — o Tony Stark está até criando uma armadura celestial! Pode ser cedo demais para isso ser utilizado nos filmes, mas o MCU está constantemente usando os quadrinhos como fonte de ideias para suas produções, então nunca se sabe.

Por último, se você não entendeu o que é a maluquice da imagem ao lado, agradeça os anos 1990, essa verdadeira Era das Trevas dos quadrinhos de herói. Houve uma época em que (como citado acima) Sersi (ao centro da capa) fez parte de uma formação muito doida dos Vingadores, ao lado do Capitão América, Viúva-Negra, Hércules, Mercúrio, entre outros. Um dos “outros” era o Cavaleiro Negro (atrás da Sersi), um personagem que está no filme, vivido por Kit Harrington (nosso eterno Jon Snow de Game of Thrones). Eles vão fazer parte da próxima formação dos Vingadores? Bom, os anos 90 estão voltando com tudo! Nunca se sabe…

5 – QUEM SÃO OS PERSONAGENS DA CENA PÓS-CRÉDITOS DE ETERNOS? (Cuidado: Spoilers!)

Se você já assistiu ao filme na sua sala, deu fastforward nos créditos e viu o Harry Styles do One Direction e um boneco de computação gráfica e não entendeu nada, calma. Vamos lá.

O personagem do Harry Styles é o Starfox, também conhecido como Eros, e ele é um combo: 1) É um Eterno! Parte dos eternos criados pelos Celestiais saiu da Terra e foi para Titã, uma das luas de Saturno, e se estabeleceram lá. Starfox é filho do líder desses eternos. Seu irmão, inclusive é… 2) Thanos! Sim, Harry Styles agora é irmão do Thanos. (E se você está se perguntando por que o Thanos tem aquele belo rosto, é porque parte dos eternos nasce com uma doença chamada “síndrome de deviante”, ou seja, são eternos com propensão para o mal.) E, por último, 3) Starfox já fez parte dos Vingadores!! (Por outro lado, como já vimos acima, todo mundo já fez parte dos Vingadores…) Alguma coisa disso tudo vai ser usada pros filmes? Não tem como saber agora, mas a introdução do Starfox não deve ser à toa.

Ao lado dele estava Pip, o Troll, com a voz do comediante Patton Oswalt. Ele não tem lá um passado grandioso, não é um deus nem filho de uma entidade cósmica (apesar de ser um príncipe em seu mundo), é só um alienígena com poderes de teleporte. A questão é que Pip é criação de Jim Starlin, um dos personagens favoritos da mente por trás de Guerra Infinita e muitas outra megassagas cósmicas da editora. Ele, por exemplo, fez parte da Guarda do Infinito ao lado de Adam Warlock, personagem que já está confirmado em Guardiões da Galáxia vol. 3. Com os eternos, ao fim do filme, partindo para o espaço, existe uma possibilidade muito grande de um crossover com o filme de James Gunn.

Além disso, já existe a confirmação de que a voz que fala com o Cavaleiro Negro em uma das cenas pós-créditos é a de Mahershala Ali, que vai viver o Blade, o caçador de vampiros. Esse, você conhece: um filho de humanos com vampiros que pode andar de dia e que, bom… caça vampiros. Blade já tem filme confirmado, mas nenhuma data específica ou informação além disso.

E aí? Deu pra ter uma boa ideia da importância dos Eternos e do potencial para o futuro do Marvel Cinematic Universe? Claro que muito disso é especulação — mas a Marvel Studios não dá ponto sem nó. Só o que nos resta é aguardar os próximos passos da megassaga cinematográfica da Casa das Ideias e ver no que dá!

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