Anime e Mangá
604 Views
0

Crítica | Ranking of Kings, episódio 8

Este foi o primeiro episódio de produção “terceirizada” em Ranking of Kings, ou seja, não produzido internamente na Wit Studio — a escolha de deixar especificamente este episódio em outras mãos faz sentido, por não ser um capítulo exatamente “bombástico”, e sim mais um passo na preparação de terreno da história. O Bojji e o Kage, por exemplo, mal aparecem! Mesmo com uma produção um tanto abaixo da média para um anime tão exuberante, a intriga por trás de tudo que acontece nesse anime manteve o interesse, e foi mais um episódio muito bom.

Talvez a parte mais interessante de Ranking of Kings até o momento seja não sabermos se o anime tem um “vilão”, quem seria ele e o que ele quer. Por enquanto, a grande força que move a trama é não exatamente o sistema de ranqueamento de reis, mas a busca por “poder” e, para além disso, a ideia do que constitui esse poder, que move a sociedade e faz com que todos tomem as atitudes ruins que vimos ao longo da série. Mas uma “ideia” não é vilão de nada (ideias não são personagens). Não que toda história precise de vilões personificados, mas a dúvida ainda é interessante. Existem tramoias, esquemas escusos acontecendo nos bastidores desse mundo. A quem interessa que esses personagens façam o que fazem?

O que temos até o momento (além do demônio, mas esse é mais uma força da natureza que um personagem) é a Miranjo, a mulher presa no espelho. Mas 1) não sabemos nada sobre ela ainda e 2) citando o Lost in Anime, ninguém é o que parece. E este episódio foi mais um na longa lista de momentos de Ranking of Kings feitos para pegar personagens e clichês de contos de fada e virá-los do avesso. Quase todo o elenco de apoio do anime toma atitudes (muitas aspas, aqui) “contraditórias” neste episódio. Então, nem podemos exatamente afirmar se Miranjo é essa pessoa “do mal” que parece ser até agora. Claro, com certeza ela não é “do bem” — e este episódio também foi o momento que estabelece que quase todo mundo nessa trama tem a capacidade de fazer coisas ruins, assim como coisas boas.

A principal atitude inesperada, para mim, esta semana, foi… bem, tudo que o Bosse fez, basicamente. Tivemos o flashback dele e, se antes (antes de sabermos qualquer coisa sobre ele, afinal) ele era uma figura um pouco mais simpática, aqui Bosse se prova mais um engolido pela ânsia por força e poder que comanda esse mundo. Claro, sabíamos que Bojji era uma criança amaldiçoada a não usar a força de gigante que ele deveria ter, mas agora confirmamos que Bosse é o culpado, pois ele não só sacrificou o poder do próprio filho como pôs esse filho no mundo especificamente para fazer isso com ele — condenando a criança a uma vida de privações, e fazendo de Bosse quase um dos personagens mais reprováveis da história até aqui. O que é uma lista bem concorrida.

E agora, depois de sacrificar mais um filho, Bosse retorna, e eu jurava que o caminho natural aqui seria manter o segredo e agir fingindo que ele era o Daida… mas não!! Ele revela que é o Bosse no corpo do Daida pra basicamente todo mundo! O que muda completamente a dinâmica da história, pra começar. Mas também faz total sentido, e até pode adicionar mais uma camada, porque não é apenas questão de ganhar poder, mas ganhar o status do poder. Não faz sentido o “Bosse” ganhar o poder e o “Daida” colher os frutos. Além disso, é muito intrigante ver que, agora, é Bosse quem toma medidas escondido da Miranjo. O jogo tem diversos níveis e não estamos nem perto de conhecer todos eles.

E, por falar em Daida… ele não morreu. E nem o Bebin. Por um lado, não gosto muito desses dois retornos em específico, porque foram duas “mortes” muito impactantes, que me pegaram completamente desprevenido, e os retornos fazem com que esses momentos e escolhas percam muito de sua força. Por outro, são mais elementos para a intriga, personagens que sabem de coisas que ninguém deveria saber. O próprio Bebin, depois de sua “morte”, se tornou um personagem infinitamente mais interessante do que antes. Seus momentos com a cobra de três (ou, infelizmente, duas) cabeças são tão tocantes quanto os de Bojji. Bebin e Bojji dividirem essa relação com essa cobra é mais uma das coisas que eu nunca esperaria que acontecesse e deixam o anime muito melhor.

Mesmo “morno”, este episódio 8 nos deu muito o que pensar, e muito o que esperar. Toda semana, Ranking of Kings fica mais complexo, mais sinistro e mais cativante. E, esta semana, o anime provou que, embora o Bojji seja a maior estrela, o roteiro é tão bom que mal precisa dele em cena para brilhar.

Deixe uma resposta