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Crítica | AMAIM Warrior at the Borderline, episódio 2

Há basicamente duas maneiras de se pensar em AMAIM. Uma delas é mais cínica: AMAIM é propaganda japonesa, uma maneira de insuflar um espírito (e eu vou ser gentil, aqui) patriota através do bom e velho anime de mecha. A outra é mais pragmática: este é um anime de mecha com um tema atual usado para criar uma motivação básica para o protagonista e colocá-lo em uma posição de desvantagem, para que nos identifiquemos com ele.

Acontece que nenhuma dessas perspectivas, para mim, está errada. E também não acredito que sejam autoexcludentes. O segundo episódio de AMAIM – Warrior at the Borderline (esse título internacional é um horror…) foi uma evidência bem clara de que a série vai fazer as duas coisas ao mesmo tempo, e cabe a você relevar as implicações de um ou de outro.

Particularmente, considerando o uso das ideias patrióticas neste segundo episódio, eu diria que este anime é tão básico, tão não-agressivo, que quase não vejo problema com o que está sendo colocado aqui. No episódio 2, nosso protagonista Amou se vê na condição de “terrorista fugitivo”, algo que ele nunca pretendeu se tornar, e no meio da fuga, sentindo muita fome, ele vai parar numa plantação, pensa em roubar um tomate, é pego pelo fazendeiro e, para se desculpar, começa a trabalhar para o velhinho.

O que se segue é um trecho que toma quase dois terços do episódio, no qual Amou consegue vivenciar e passa a valorizar a vida simples no campo, a beleza da tranquilidade e da natureza. Depois disso, o casal de velhinhos o recebe em casa, e não o enxota dali mesmo depois de saber que ele é um fugitivo, porque lembram da morte do próprio filho… nas Guerras Fronteiriças.

Ou seja: este capítulo foi feito para criar uma base, digamos, ideológica para a luta de Amou por liberdade — defender os cidadãos japoneses, o tradicional, o valor da vida no campo, a população da terceira idade. O que é reforçado pela batalha na perna final do episódio, uma luta contra drones controlados remotamente pelo implacável exército “Asiático”, uma escolha feita para denotar o valor de “verdadeiro guerreiro” de Amou, pilotando seu robô de dentro dele, um samurai em sua armadura, contra os covardes estrangeiros em suas marionetes sem piloto que nem prestam para arriscar o próprio pescoço. Foi um episódio bastante Nihon Banzai!! das ideia.

O que eu não vejo como grande problema… por enquanto. AMAIM é tão rasteiro e maniqueísta em sua abordagem que parece quase inocente. O protagonista é um rapaz que se tornou terrorista fugitivo mas sente remorso até de roubar um tomate. Tudo isso foi criado para colocá-lo em posição de desvantagem, para criar a ideia de inimigos quase invencíveis — e isso, num anime de mecha, é algo corriqueiramente feito através de um contexto político.

AMAIM é uma produção eficiente, do ponto de vista técnico, até o momento. A luta no final deste episódio é bastante divertida, combinando pensamento tático de campo de batalha com cenas de robozão batendo em outro robozão usando um rifle como se fosse um tacape. É legal. Fora que a cena final, com o novo mecha sniper (um dos caras que já estão na abertura) é um belo cliffhanger, realmente estou interessado em como esse personagem tem um AMAIM e qual o ponto de vista dele para entrar na história.

Tem muito que pode ser feito com esse setting de ocupação militar para deixar a história menos rasa do que está até o momento. O negócio é dar tempo ao tempo e ver se AMAIM desenvolve essas ideias ou continua retratando essa batalha de Japão contra o mundo como uma história de Bem contra o Mal.

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